sábado, 6 de outubro de 2007

Direcções

Andei a investigar a evolução dos modelos no contexto da evolução da Teoria da Decisão, numa tentativa de perceber as diferenças e semelhanças das aproximações dos teóricos clássicos e modernos.

Entendi que a abordagem destes à construção de modelos de decisão tomou claramente duas direcções:

A primeira no sentido de optimizar, simplificando o suficiente para que o óptimo seja computável. O modelo de decisão clássico procura atingir o conhecimento em todas as alternativas que estão disponíveis para escolha assim como em todas as suas consequências. A certeza é um factor presente na avaliação das alternativas e das respectivas consequências. Este tipo de modelos está na base das teorias racionais de decisão, também chamadas de Normativas, em que o principal foco é a optimização.

A segunda direcção foi no sentido de construir modelos suficientemente satisfatórios que permitam efectuar boas decisões com custos de computação razoáveis. Desejou-se, portanto, reter nos modelos um conjunto mais valioso de propriedades do mundo real, que permitam ao decisor escolher soluções óptimas para um mundo simplificado ou procurar soluções satisfatórias para um mundo mais realista. Este tipo de modelos está na base das teorias de decisão não racionais, também chamadas Descritivas. Um exemplo é a teoria de satisfação de Herbert Simon, em que um agente é caracterizado por um nível de aspiração e escolhe a primeira alternativa que iguala ou excede esse nível, não sendo necessário avaliar todas as alternativas. Existem várias razões para abandonar o conceito de ideal:

* nem sempre existe uma estratégia de optimização, ou seja, o ideal nem sempre está definido.
* mesmo que a estratégia de optimização esteja definida vários factores condicionantes do problema podem impedir a sua resolução(por exº, um problema que precisa de ser resolvido com rapidez independentemente de ser resolvido da melhor maneira)
* existem estratégias que não envolvem optimização e que obtêm melhores resultados que as estratégias de optimização (exº: a heurística do dilema do prisioneiro)

Tal como na Teoria da Decisão Descritiva, na direcção mais recente da Teoria de Decisão existe uma preocupação central sobre a forma como as decisões são feitas e não apenas com os seus resultados. São teorias sobre "como decidir" em vez de "o que decidir".

Os novos modelos de decisão, ao contrário da perspectiva clássica, procuram descrever a forma como as decisões podem ser feitas quando as alternativas são afectadas por enumeras condicionantes.

3 comentários:

Jorge Afonso disse...

Rui,

Muitos parabens pelo artigo! Na minha opinião, um excelente trabalho de interpretação e comparação da teoria da decisão clássica e moderna! :)

Continuação de bom trabalho,
Um abraço!

Ana Sofia Marques disse...

Rui,

subscrevo o comentário do Jorge. Excelente reflexão, muito aprofundada!

Zézinha_Trig disse...

Caro Rui. Também concordo mas gostava que fosses mais longe na descrição da teoria moderna . Força